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Mercúrio no peixe: quais espécies evitar e como escolher

Mercúrio no peixe: estudos de 2025 revelam espécies contaminadas no Brasil. Saiba quais peixes evitar (como cação e robalo) e proteja sua saúde agora.

Alimentação Publicado em 13/Jul/2026 6 min de leitura
posta de peixe exposta em tábua com ervas enfeitando

Leitura em voz inativa.

Recentemente, pesquisadores identificaram a presença de mercúrio no peixe em supermercados, feiras e peixarias brasileiras. Sendo assim, monitorar a contaminação tem sido uma constate da Anvisa desde 2024.

Agora, dois estudos de universidades fluminenses confirmam que o risco de fato existe. Afinal, a contaminação afeta tanto o peixe vendido no supermercado quanto o pescado artesanal da Baía de Guanabara.

No entanto, o mercúrio não altera o cheiro, o sabor ou a aparência do alimento. Por isso, o consumidor não consegue identificar o metal na hora da compra. Sendo assim, saber quais espécies concentram mais mercúrio é a sua principal defesa.

Pesquisas sobre mercúrio: dois olhares sobre o mesmo problema

Os dois estudos analisam cenários distintos e se complementam:

  • O estudo do mercado de consumo: publicado em setembro de 2025 na revista Food and Chemical Toxicology por pesquisadores da UERJ e da UFRJ (divulgado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – Faperj). Os cientistas compraram espécies em supermercados, feiras e peixarias da Região Metropolitana do Rio para medir o mercúrio. Portanto, o foco é o consumidor urbano.
  • O estudo da pesca local: conduzido por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e divulgado em dezembro de 2025 pela Agência Brasil. O foco é a comunidade pesqueira artesanal da Baía de Guanabara. Os cientistas analisaram espécies locais e a exposição dos pescadores ao metal por meio de amostras de cabelo.

Juntas, as pesquisas cobrem toda a cadeia: do peixe importado do supermercado ao pescado local que vai direto para a mesa.

O que o estudo do supermercado encontrou?

Infelizmente, o cação-azul foi a espécie mais preocupante. Os pesquisadores identificaram uma média de 1,27 mg/kg de mercúrio. O valor é mais do dobro do limite de 1,0 mg/kg que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece para peixes predadores. Além disso, cerca de 80% dessa concentração estava na forma de metilmercúrio, a versão mais tóxica e de fácil absorção pelo organismo.

Por outro lado, o panga e o mexilhão registraram as menores concentrações (entre 0,0003 mg/kg e 0,0005 mg/kg). Inclusive, a análise genética das amostras descartou fraudes: o peixe vendido era exatamente o anunciado no rótulo.

Vale destacar que “cação” é o nome comercial para a carne de tubarão no Brasil. Como ele é um predador de topo de cadeia, vive décadas acumulando mercúrio. Desse modo, o estudo da Faperj aponta que esse peixe vem importado principalmente da Espanha e de Taiwan, chegando ao mercado sem que a maioria dos consumidores saiba o que está comprando.

O que o estudo da Baía de Guanabara encontrou?

Entre as espécies locais, o robalo e o bagre apresentaram as maiores concentrações de mercúrio. Em contrapartida, a sardinha registrou os menores índices. Apesar disso, os níveis nos peixes da baía ficaram dentro do limite permitido pela Anvisa.

Contudo, o dado mais alarmante está nos pescadores, não nos peixes. Amostras de cabelo dos voluntários revelaram níveis entre 0,12 mg/kg e 3,5 mg/kg de mercúrio. Sob os parâmetros de referência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), alguns casos ultrapassaram o limite seguro. Isso ocorre possivelmente por causa do consumo diário de peixe como principal fonte de proteína. As maiores concentrações ocorreram na Ilha do Governador.

Por que alguns peixes acumulam mais mercúrio do que outros?

Peixes predadores de grande porte acumulam mercúrio por biomagnificação. Afinal, cada presa menor consumida adiciona uma dose do metal ao predador. Quanto maior o peixe e mais longa a sua vida, maior será a carga final de contaminantes.

Por isso, espécies como cação, robalo, tubarão, espadarte e atum de grande porte exigem atenção. Em contrapartida, sardinha, tilápia, panga e mexilhão figuram entre as opções mais seguras de acordo com os limites da Anvisa. Além disso, o canal Minha Saúde da PROTESTE faz alertas frequentes sobre quais peixes evitar para prevenir riscos à saúde.

Peixe com mercúrio faz mal à saúde?

Uma refeição ocasional não gera riscos graves. O perigo real está no consumo frequente e prolongado de espécies contaminadas.

Segundo o Ministério da Saúde, a exposição contínua ao mercúrio prejudica a coordenação motora, a visão, a audição e a memória. Também pode provocar distúrbios renais e cardiovasculares. Ademais, a OMS reforça que o metilmercúrio atravessa a barreira placentária, oferecendo alto risco ao desenvolvimento neurológico do feto.

Gestantes, lactantes e crianças pequenas formam o grupo de maior risco. Se você está grávida, consulte o guia de alimentação na gravidez para saber quais alimentos evitar em cada trimestre.

Como identificar o peixe que você está comprando?

A Anvisa exige que o rótulo do pescado informe claramente a espécie e a origem do produto. Siga estas orientações práticas na hora da compra:

  • Leia o rótulo: verifique o nome da espécie e o país de origem em produtos embalados.
  • Pergunte em feiras e peixarias: questione o vendedor sobre a espécie exata e de onde ela veio.
  • Prefira peixes menores: espécies que cabem inteiras no prato acumulam menos mercúrio devido ao ciclo de vida mais curto.
  • Desconfie de peixes nobres baratos: preços muito abaixo da média de mercado podem indicar fraudes.

Embora o estudo da UERJ/UFRJ não tenha detectado fraudes de rotulagem nas amostras avaliadas, fiscalizar a embalagem continua sendo o método mais prático de prevenção. De fato, este cenário integra um problema maior de contaminação por metais pesados na cadeia de alimentos no Brasil.

Como reduzir os riscos sem deixar de comer peixe?

O peixe é um alimento excelente, rico em proteínas e ácidos graxos essenciais. Portanto, você não precisa eliminá-lo do cardápio, apenas diversificar as escolhas. O Ministério da Saúde recomenda as seguintes práticas:

  • Varie as espécies: evite comer o mesmo peixe consecutivamente.
  • Priorize espécies menores: consuma mais sardinha, tilápia e pescada pequena.
  • Reduza o consumo de predadores: evite cação, atum de grande porte em excesso e espadarte.
  • Proteja os grupos de risco: gestantes e crianças devem evitar espécies predadoras de grande porte.

Os estudos deixam claro que o problema atinge tanto o peixe industrializado quanto o artesanal. No entanto, a diferença está no nível de exposição: um consumidor urbano que come cação raramente tem um perfil de risco diferente de um pescador local que o consome diariamente. Para ambos, a diversificação é o melhor caminho.

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