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Vacina contra sarampo: quem precisa tomar e o que é a dose zero

Entenda quem deve tomar a vacina contra o sarampo, o que é a dose zero para bebês e quando procurar uma unidade de saúde.

Saúde Publicado em 08/Set/2026 6 min de leitura
menino recebe vacina no braço e mão de enfermeiro coloca gaze no local

Leitura em voz inativa.

Casos importados de sarampo voltaram a acender o alerta no Brasil e levaram o Ministério da Saúde a intensificar a vacinação em municípios da Grande São Paulo. A vacina contra o sarampo é gratuita no SUS, mas a recomendação muda conforme a idade, o histórico vacinal e o local onde a pessoa vive ou circula.

A principal novidade para muitas famílias é a dose zero, aplicada em bebês de 6 a 11 meses quando há risco aumentado de transmissão. Ela oferece proteção adicional nesse período, mas não substitui as doses previstas no calendário infantil.

Por que o sarampo voltou a preocupar

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. A transmissão ocorre pelo ar, por meio de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus antes mesmo das manchas vermelhas aparecerem.

Em 2026, o Ministério da Saúde registrou casos relacionados à importação do vírus. Até meados de agosto, havia 24 casos confirmados no país, dos quais 21 permaneciam em acompanhamento no estado de São Paulo. O Brasil continua certificado como livre da circulação endêmica do sarampo, mas o aumento de casos nas Américas eleva o risco de novas importações.

A situação levou à ampliação temporária da vacinação nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Nesses locais, a estratégia alcança pessoas de 6 meses a 59 anos, conforme as orientações locais e a avaliação da equipe de saúde.

O que é a dose zero da vacina contra sarampo

A dose zero é uma aplicação adicional da vacina tríplice viral para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias em contextos de maior risco, como surtos, circulação do vírus ou ações de bloqueio vacinal.

Ela recebe esse nome porque é aplicada antes da primeira dose do calendário de rotina. A proteção gerada nessa faixa etária pode ser menor ou durar menos, devido à presença de anticorpos maternos. Por isso, a dose não conta como parte do esquema regular.

Mesmo depois de receber a dose zero, a criança deve tomar:

  • a primeira dose da tríplice viral aos 12 meses;
  • a segunda dose aos 15 meses, com a tetraviral ou conforme a vacina disponível e a orientação do SUS.

Se o bebê tomou a dose zero, não é sinal de que está com o calendário completo. A família deve guardar o comprovante e voltar à unidade de saúde nas idades previstas.

Quem deve tomar a vacina contra sarampo

Na rotina nacional, a indicação depende da idade e da comprovação de vacinação:

  • Crianças de 12 meses a menores de 5 anos: devem receber duas doses, a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
  • Pessoas de 5 a 29 anos: quem não tiver comprovação deve iniciar ou completar o esquema de duas doses, respeitando o intervalo mínimo recomendado pelo serviço de saúde.
  • Pessoas de 30 a 59 anos: quem não comprovar vacinação anterior deve receber pelo menos uma dose.
  • Profissionais de saúde: devem manter duas doses documentadas, independentemente da idade, conforme a recomendação do calendário.
  • Bebês de 6 a 11 meses: recebem a dose zero quando a autoridade de saúde indica a estratégia para a região ou em uma ação de bloqueio.

Campanhas locais podem ampliar temporariamente o público. Por isso, quem mora, trabalha, estuda ou circula por uma área com recomendação especial deve confirmar a orientação na unidade de saúde do município.

Calendário de vacinação contra o sarampo | Ministério da Saúde

Calendário de vacinação contra o sarampo | Ministério da Saúde

Quem já tomou a vacina precisa repetir?

Fora das campanhas indiscriminadas, quem tem o esquema completo e consegue comprová-lo normalmente não precisa reiniciar a vacinação. Não há necessidade de repetir todas as doses porque a caderneta foi perdida sem antes passar por avaliação.

Se não houver comprovante, a equipe da unidade de saúde verificará a idade, a situação epidemiológica e as regras vigentes. Em algumas situações, poderá recomendar a vacinação. Tomar uma dose adicional por falta de comprovação costuma ser preferível a permanecer desprotegido, mas a decisão deve ser feita pelo serviço de saúde.

Quem não pode tomar a tríplice viral

A tríplice viral é uma vacina de vírus vivos atenuados. Ela não deve ser aplicada durante a gestação. Pessoas com imunossupressão importante ou que tiveram reação alérgica grave a uma dose anterior ou a componentes do imunizante precisam de avaliação profissional.

Quem está com febre ou doença aguda deve informar a equipe antes da aplicação. Resfriados leves, em geral, não impedem a vacinação, mas a decisão deve considerar o estado clínico.

Mulheres vacinadas devem seguir a orientação do serviço de saúde sobre o intervalo antes de engravidar. Quem está amamentando normalmente pode receber a vacina.

Quais são os sintomas do sarampo

Os sintomas iniciais podem parecer os de outras infecções respiratórias:

  • febre alta;
  • tosse;
  • coriza;
  • olhos vermelhos e irritados;
  • mal-estar;
  • manchas vermelhas que costumam começar no rosto e se espalhar pelo corpo.

O sarampo pode causar complicações como pneumonia, infecção de ouvido, diarreia intensa, encefalite e, em casos graves, morte. Crianças pequenas, gestantes, pessoas desnutridas e pessoas com imunidade comprometida têm maior risco de complicações.

O que fazer diante de suspeita ou contato com um caso

Quem apresenta febre e manchas vermelhas, especialmente após viagem, contato com viajante ou circulação em local com casos, deve procurar orientação de saúde rapidamente. Antes de ir à unidade, é recomendável telefonar e avisar sobre a suspeita para reduzir a exposição de outras pessoas na sala de espera.

A pessoa deve evitar contato próximo, transporte coletivo e ambientes compartilhados até receber orientação. Não é indicado ir diretamente a vários serviços de saúde, pois isso pode ampliar a transmissão.

Contatos de um caso suspeito ou confirmado podem precisar de vacinação de bloqueio em prazo curto. A equipe de vigilância define a conduta conforme idade, condição clínica, histórico vacinal e tempo desde a exposição.

Como conferir a caderneta e se vacinar

Leve à unidade de saúde a caderneta de vacinação e um documento de identificação. Se não tiver a caderneta, informe as vacinas que lembra ter recebido e peça a avaliação do registro disponível no sistema.

A vacina contra o sarampo está disponível gratuitamente no SUS. Como estratégias locais podem mudar com a situação epidemiológica, consulte a secretaria de saúde do município ou a unidade básica mais próxima antes de se deslocar, sobretudo para saber se a dose zero está indicada onde você mora.

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