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Como escolher peixe no mercado? Guia prático de compra

Você sabe como escolher peixe o mercado? Aprenda a ler os rótulos, avaliar os sinais de frescor na banca e conservar o pescado corretamente em casa.

Alimentação Publicado em 24/Jul/2026 7 min de leitura Atualizado há 7 dias
Mulher no supermercado. Mulher jovem segurando postas de peixe salmão nas mãos no mercado.

Leitura em voz inativa.

O peixe é uma proteína excelente para a saúde, visto que fornece proteínas de alto valor biológico e ácidos graxos ômega-3, que exercem um efeito protetor cardiovascular. Mesmo assim, o brasileiro consome apenas entre 10 kg e 12 kg de pescado por ano. Esse índice, infelizmente, fica bem no limite mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas você sabe como escolher peixe?

Muitas vezes, a falta de familiaridade com o ingrediente acaba afastando o consumidor. Afinal, o receio com o preço de cortes nobres, o medo de errar no ponto do preparo ou a insegurança na hora de avaliar a qualidade na banca do mercado são barreiras bastante comuns. Com o objetivo de ajudar você a fazer a melhor escolha, preparamos este guia prático de compra e conservação.

Alerta de saúde: o risco invisível do mercúrio nos peixes

Além dos critérios tradicionais de escolha, o consumidor brasileiro precisa estar atento a um risco que não pode ser visto, cheirado ou provado: a contaminação por mercúrio.

Para entender detalhadamente quais espécies foram analisadas e o impacto desse metal na saúde, você pode acessar a nossa análise completa sobre as pesquisas de mercúrio no peixe.

Portanto, para reduzir os riscos no dia a dia sem abrir mão dessa proteína saudável, adote as seguintes orientações práticas na hora da compra:

  • Evite o consumo frequente de grandes predadores: Peixes de topo de cadeia e vida longa, como o cação (carne de tubarão), robalo, atum de grande porte e espadarte, acumulam mais metal por biomagnificação. O cação-azul, por exemplo, registrou mais do dobro do limite de 1,0 mg/kg permitido pela Anvisa em análises de mercado.
  • Priorize espécies menores e mais seguras: Em contrapartida, a sardinha, a tilápia, o panga e o mexilhão apresentam os menores índices de contaminação e são opções altamente seguras de acordo com os limites regulatórios.
  • Varie as espécies no cardápio: Evite, conscientemente, consumir o mesmo peixe em refeições consecutivas, pois a diversificação é o caminho mais eficiente para proteger o organismo.
  • Atenção redobrada para grupos de risco: Desse modo, gestantes, lactantes e crianças pequenas devem evitar o consumo de peixes predadores, visto que o metilmercúrio oferece sérios riscos ao desenvolvimento neurológico do feto.
  • Monitore a origem pelo rótulo: A Anvisa exige a identificação da espécie e do país de procedência. Portanto, exija essa transparência no supermercado ou na peixaria.

Aquicultura vs. Pesca Extrativa: qual a diferença no mercado?

A legislação brasileira exige total transparência na comercialização do pescado. Inclusive, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) padroniza a nomenclatura de mais de 200 espécies comerciais para que você saiba exatamente o que está levando. Basicamente, existem duas origens de produção:

  • Aquicultura (Peixe de Cativeiro): Apresenta tamanho e peso uniformes nos lotes. Além disso, o teor de gordura é mais alto e a carne costuma ser mais suculenta devido à alimentação controlada. Espécies como tilápia, tambaqui, pacu e camarão-cinza vêm quase 100% de ambientes cultivados no varejo tradicional. Por isso, o preço e a oferta permanecem estáveis o ano todo.
  • Captura (Peixe Selvagem): Apresenta tamanho e peso variados no mesmo lote. Por outro lado, a carne é mais magra e firme. Espécies como sardinha, cavala, corvina, namorado e pescada-amarela vêm obrigatoriamente da pesca extrativista em mares ou rios. Sendo assim, a oferta e os preços são sazonais e mudam conforme o clima e os períodos de defeso.

O impacto no seu bolso e no varejo

Atualmente, os supermercados e redes de restaurantes preferem os produtos da aquicultura pela constância no abastecimento. A tilápia, por exemplo, representa cerca de 70% de toda a produçãoaquícola nacional e dita o preço médio do pescado pela sua eficiência logística. Além do mais, o processamento industrial em frigoríficos garante selos de inspeção sanitária que abrem portas no atacado.

Em contrapartida, a pesca extrativa sofre com a instabilidade de oferta devido a fatores climáticos, gerando picos de preços em épocas como a Quaresma. Como o setor é composto majoritariamente por pescadores artesanais (mais de 99%), o alcance do peixe selvagem fresco costuma ficar restrito a mercados locais e feiras litorâneas.

Como avaliar o frescor do peixe in natura?

A escolha certa começa no ponto de venda. Por isso, prefira estabelecimentos regularizados pela Vigilância Sanitária e verifique sempre se o pescado fresco está armazenado sobre gelo picado, mantido próximo a 0°C.

Use os cinco sentidos para analisar estes parâmetros anatômicos na banca:

  • Olhos: Devem estar brilhantes e salientes. Consequentemente, recuse peixes com olhos fundos, opacos ou acinzentados.
  • Brânquias (Guelras): Devem se apresentar avermelhadas, úmidas, brilhantes e sem muco. Por isso, tons amarelados indicam deterioração imediata.
  • Escamas e Pele: A pele precisa ter pigmentação viva e brilhante. Além disso, as escamas devem estar firmes e bem aderidas ao corpo.
  • Carne: O tecido muscular deve ser consistente e elástico. Ao pressionar a carne com o dedo, ela deve voltar ao normal imediatamente, sem deixar marcas.
  • Odor: O cheiro deve ser suave, lembrando o mar ou água doce limpa. Fuja, portanto, de odores fortes ou amoniacais.

Dica de ouro: Deixe o peixe sempre para o final das compras no supermercado. Essa prática reduz o tempo de exposição do alimento à temperatura ambiente antes de chegar à sua geladeira.

Cuidados ao comprar peixe congelado

O peixe congelado é uma opção altamente segura e prática. No entanto, você deve observar critérios específicos no momento da compra:

  • Selos de Inspeção: Verifique a presença obrigatória de carimbos oficiais como o SIF (Serviço de Inspeção Federal), SIE ou SIM.
  • Temperatura do Freezer: O balcão de exposição deve exibir um termômetro indicando a temperatura mínima constante de -18°C.
  • Sinais de Descongelamento: Recuse embalagens que apresentem acúmulo de cristais de gelo soltos no interior. Afinal, isso indica que o produto sofreu flutuações de temperatura e pode estar comprometido.
  • Vidragem Comercial: A vidragem é uma fina camada de gelo que protege o peixe contra o ressecamento do freezer. Por lei, o peso líquido declarado na embalagem deve excluir essa massa de gelo. Fique atento, portanto, para não comprar produtos excessivamente vidrados.

Como fazer vidragem caseira

Se você comprou um peixe fresco grande inteiro e deseja congelá-lo por longo prazo, aplique a técnica da vidragem na sua cozinha para evitar queimaduras de frio:

  • Primeiramente, deixe o peixe limpo no congelador por cerca de 10 horas até que esteja totalmente sólido.
  • Em seguida, encha um recipiente grande com água muito gelada.
  • Mergulhe o peixe congelado rapidamente e retire-o logo em seguida. Desse modo, o choque térmico criará uma casca fina de gelo protetora.
  • Por fim, volte o peixe imediatamente ao freezer. Repita o processo de imersão rápida duas ou três vezes e guarde o alimento em um saco plástico próprio para congelamento.

Regras de conservação e preparo em casa

Como o peixe fresco estraga rapidamente, consuma o produto no dia da compra ou, no máximo, no dia seguinte. Além disso, guarde-o na zona mais fria do refrigerador, geralmente nas prateleiras centrais.

Se a opção for o congelado, o descongelamento deve ocorrer obrigatoriamente de forma lenta, dentro da geladeira (na parte inferior). Caso precise acelerar o processo, coloque a embalagem hermeticamente fechada embaixo de água fria corrente. Nunca descongele o peixe em temperatura ambiente ou ao sol, pois isso destrói a textura e favorece bactérias. Lembre-se: nunca recongele um peixe que já foi descongelado.

Técnicas de preparo e valor nutricional

O método de cozimento altera diretamente a qualidade da gordura saudável do peixe. A cocção no vapor é a escolha mais saudável, pois promove menor oxidação dos nutrientes e preserva os ácidos graxos ômega-3. Grelhar também é uma ótima alternativa. Por outro lado, evite a fritura imersa, visto que o calor excessivo oxida os óleos bons e o alimento absorve a gordura do meio, elevando muito o valor calórico da refeição.

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