Minha Saúde Proteste

Vacinas para idosos: quais tomar após os 60 anos

Veja quais são as vacinas para idosos, as doses disponíveis no SUS e as recomendações para gripe, covid-19, pneumonia, herpes-zóster e VSR.

Saúde Publicado em 18/Set/2026 8 min de leitura
Mãos de enfermeiro preparando braço para vacina em uma mulher idosa

Leitura em voz inativa.

As vacinas para idosos não começam do zero aos 60 anos. O que muda nessa fase é a necessidade de revisar as doses já tomadas, atualizar esquemas incompletos e incluir proteções que ganham importância com o envelhecimento.

Em 2026, o Calendário Nacional de Vacinação passou a apresentar de forma mais clara as vacinas destinadas às pessoas idosas. Há doses anuais, semestrais, reforços periódicos e indicações restritas a determinados grupos. Por isso, uma lista genérica encontrada na internet não substitui a conferência do histórico vacinal.

O primeiro passo é levar a Caderneta da Pessoa Idosa e todos os comprovantes disponíveis a uma Unidade Básica de Saúde. Mesmo sem o cartão, a pessoa pode procurar a vacinação. A equipe pode consultar os registros existentes e orientar a atualização.

Quais vacinas os idosos devem tomar pelo SUS?

O Calendário Nacional de Vacinação 2026 organiza as vacinas para idosos que fazem parte da rotina e aquelas cuja indicação depende do histórico, da profissão, do local onde a pessoa vive, de uma viagem ou de condições clínicas específicas. As principais são as seguintes.

Influenza: uma dose a cada temporada

A pessoa idosa deve tomar a vacina contra a gripe uma vez por ano. A composição muda para acompanhar os vírus influenza com maior probabilidade de circular na temporada. Portanto, ter recebido a dose no ano anterior não elimina a necessidade da vacinação atual.

A vacina reduz sobretudo o risco de formas graves, hospitalização e morte. Além disso, ela não provoca gripe, embora possa causar dor no local da aplicação, mal-estar ou febre baixa por pouco tempo.

A PROTESTE explica em outro conteúdo por que a vacina da gripe muda todos os anos e quem deve tomá-la.

Covid-19: uma dose a cada seis meses

Para pessoas a partir de 60 anos, o esquema de rotina do SUS prevê uma dose semestral contra a covid-19. A orientação vale independentemente do número de doses recebidas nos primeiros anos da pandemia.

O intervalo de seis meses ajuda a renovar a proteção contra as formas graves da doença. Já quem teve covid-19 deve estar recuperado e fora do período de isolamento antes de procurar a vacinação.

Hepatite B: três doses conforme o histórico

Quem não completou a vacinação contra a hepatite B deve receber as doses que faltam. O esquema básico tem três doses. No entanto, quem apresenta comprovantes de aplicações anteriores não precisa reiniciar o esquema.

A vacina protege contra as hepatites B e D. Como o vírus da hepatite B pode ser transmitido pelo sangue e por relações sexuais, a prevenção continua relevante após os 60 anos.

dT: esquema básico e reforço contra difteria e tétano

A dupla adulto protege contra difteria e tétano. Quem não tem o esquema completo deve totalizar três doses. Depois disso, a pessoa deve tomar o reforço a cada dez anos. Em caso de ferimento com risco para tétano, esse intervalo pode cair para cinco anos.

Profissionais de saúde e pessoas que atuam com recém-nascidos também podem precisar da dTpa, que protege contra a coqueluche. Nesse caso, a equipe de vacinação deve avaliar o histórico.

Febre amarela: somente após avaliação

Para quem tem 60 anos ou mais, a vacina contra a febre amarela não faz parte de uma recomendação automática. Ela pode ser uma opção para pessoas não vacinadas que vivem ou viajarão para uma área com transmissão. Antes da aplicação, porém, um profissional deve avaliar individualmente o risco de exposição e as condições de saúde.

Quando a vacinação for necessária para uma viagem, o Ministério da Saúde orienta que a pessoa receba a dose pelo menos dez dias antes do deslocamento.

Pneumocócica 20-valente: oferta do SUS ainda é dirigida a grupos

Em 2026, o calendário passou a incluir uma dose da vacina pneumocócica 20-valente para pessoas idosas não vacinadas que estejam acamadas ou institucionalizadas, como residentes em instituições de longa permanência. Além disso, a recomendação contempla povos indígenas sem histórico de vacina pneumocócica conjugada.

Pessoas com doenças ou condições que elevam o risco de infecções pneumocócicas também podem receber esquemas específicos nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, os CRIE. Nesse caso, a indicação depende do diagnóstico, do tratamento e das vacinas tomadas anteriormente.

Tríplice viral e varicela: indicações específicas

O calendário da pessoa idosa inclui a tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola, para trabalhadores de saúde, após avaliação do histórico. Já o SUS recomenda a vacina contra varicela a trabalhadores de saúde e povos indígenas sem história da doença ou quando houver dúvida.

Como essas vacinas contêm vírus vivos atenuados, pessoas imunossuprimidas ou em determinados tratamentos precisam de avaliação profissional antes da aplicação.

Vacinas para idosos recomendadas fora da rotina universal do SUS

Além das vacinas para idosos que o SUS oferece de forma ampla, o calendário da Sociedade Brasileira de Imunizações inclui outras recomendações. Isso não significa, porém, que toda pessoa com mais de 60 anos precise comprar todas as vacinas disponíveis. A decisão deve considerar risco individual, doenças crônicas, tratamentos, exposições, histórico e custo.

Herpes-zóster

A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a vacina recombinante contra herpes-zóster a partir dos 50 anos e também a pessoas imunocomprometidas ou com risco aumentado a partir dos 18. O esquema tem duas doses, em geral com intervalo de dois meses.

A vacina previne o herpes-zóster, conhecido como cobreiro, e complicações como a neuralgia pós-herpética, uma dor que pode persistir depois que as lesões desaparecem. Atualmente, os serviços privados oferecem essa vacina.

Vírus sincicial respiratório, o VSR

O VSR também pode causar doença respiratória grave em adultos mais velhos. Por isso, a SBIm recomenda a vacinação de rotina a partir dos 70 anos. Entre 50 e 69 anos, a indicação considera condições que aumentam o risco, como cardiopatias, doenças pulmonares, diabetes, obesidade, doença renal, doença hepática, imunossupressão, fragilidade ou residência em instituição de longa permanência.

Atualmente, a rede privada oferece as vacinas contra o VSR para idosos. Como existem diferentes produtos e indicações, um profissional de saúde deve orientar a escolha.

Vacinas pneumocócicas para quem não se enquadra na oferta do SUS

A SBIm recomenda a vacina pneumocócica conjugada 20-valente como rotina para pessoas a partir dos 60 anos. A rede privada também dispõe de outras formulações. Por isso, quem já tomou uma vacina pneumocócica pode precisar respeitar um intervalo ou seguir uma combinação específica.

Não é aconselhável escolher o produto apenas pelo número de sorotipos. Afinal, a decisão depende do histórico vacinal e das condições clínicas. Leve os comprovantes à consulta ou à clínica para evitar doses desnecessárias e montar o esquema correto.

Vacina da gripe de alta dose

A rede privada oferece uma vacina contra influenza com maior quantidade de antígenos, desenvolvida para melhorar a resposta em pessoas a partir de 60 anos. No entanto, ela não substitui a recomendação de se vacinar a cada temporada nem torna inadequada a vacina que o SUS oferece gratuitamente.

Se a versão de alta dose não for acessível, não se deve adiar a vacinação à espera dela. O mais importante é receber a dose indicada para a idade no momento adequado.

É possível tomar mais de uma vacina no mesmo dia?

Em muitas situações, sim. Aplicar vacinas diferentes na mesma visita ajuda a reduzir atrasos e perdas de oportunidade. Nesse caso, a equipe deve registrar cada dose e usar locais de aplicação distintos.

No entanto, existem exceções e cuidados relacionados ao tipo de vacina, a reações anteriores, ao uso de medicamentos e a tratamentos que afetam a imunidade. Por isso, antes da aplicação, informe alergias graves, transplantes, quimioterapia, uso de imunossupressores e qualquer reação importante ocorrida depois de uma dose anterior.

Cartão de vacinação perdido: o que fazer

A falta do cartão não impede a atualização das vacinas para idosos. Procure a UBS, informe onde recebeu doses anteriores e leve qualquer comprovante que encontrar. Parte dos registros pode aparecer no Meu SUS Digital. Porém, dados antigos ou doses aplicadas fora da rede pública nem sempre aparecem no aplicativo.

Também não é recomendável inventar datas ou marcar doses de memória. A equipe de saúde deve avaliar o que está documentado e definir se a pessoa precisa completar ou repetir o esquema ou se já pode considerá-lo encerrado.

Quando adiar a vacinação ou buscar avaliação

Resfriado leve e uso de antibiótico, por si só, não costumam impedir a vacinação. Já casos de febre ou doença aguda moderada ou grave podem exigir o adiamento até a melhora.

Além disso, precisam de avaliação individual pessoas que tiveram anafilaxia após uma dose ou componente da vacina, vivem com imunossupressão, fizeram transplante, estão em tratamento oncológico ou usam medicamentos que reduzem a resposta do sistema imunológico.

Doenças crônicas, por outro lado, não representam, em regra, um motivo para deixar de vacinar. Muitas vezes ocorre o contrário: elas aumentam o risco de complicações e tornam a proteção ainda mais necessária.

Como atualizar a vacinação do idoso na UBS

A pessoa pode atualizar a vacinação em uma única visita à UBS, mesmo quando o cartão está incompleto. Para facilitar a avaliação:

  • leve a Caderneta da Pessoa Idosa e todos os cartões ou comprovantes que encontrar;
  • anote doenças, alergias graves, medicamentos de uso contínuo e tratamentos recentes;
  • informe se a pessoa está acamada, mora em instituição de longa permanência ou pertence a um grupo indígena;
  • avise sobre viagens previstas, especialmente para áreas com recomendação de febre amarela;
  • pergunte quais doses estão disponíveis na UBS e se alguma indicação exige encaminhamento ao CRIE;
  • guarde o registro físico e confira depois se a dose apareceu no Meu SUS Digital.

A vacinação de rotina fica disponível ao longo do ano. Portanto, não é preciso esperar uma campanha para revisar o cartão.

Como a PROTESTE pode ajudar

No Minha Saúde, a PROTESTE reúne informações para que o consumidor entenda recomendações, compare opções e leve perguntas mais objetivas ao atendimento. O guia sobre vacina da gripe ajuda a entender a campanha anual. Já o conteúdo sobre check-up mostra quais cuidados preventivos devem ser avaliados em cada fase da vida.

Quando a rede privada oferece determinada vacina, compare o preço da dose e do esquema completo, verifique se a clínica está regularizada e peça nota fiscal e comprovante de vacinação. Se houver cobrança indevida, falha na prestação do serviço ou dificuldade para resolver o problema com a empresa, o canal Reclame da PROTESTE pode ajudar a formalizar a demanda.

Veja também

Mulher de 40 anos com cabelo curto aperta a bochecha de seu rosto com a mão.

Rosto de cortisol: o que a aparência pode — e não pode — revelar

Entenda o que é cortisol, para que ele serve e por que o chamado “rosto de cortisol” não permite diagnosticar uma alteração hormonal.

Saúde
15/Set/2026 1 min

Mais lidas

Newsletter

Receba a proxima curadoria da PROTESTE

Assine para acompanhar novas orientacoes sobre saude, qualidade de vida e direitos do consumidor.

Ao enviar, seus dados sao encaminhados para o cadastro da newsletter.