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Vacinação infantil: a importância de manter as doses em dia

Entenda a importância da vacinação infantil, os riscos das doses atrasadas e saiba como manter a caderneta de vacinação em dia.

Saúde Publicado em 11/Ago/2026 9 min de leitura
Criança após a vacinação, observa o curativo no braço e segurando um ursinho de pelúcia.

Leitura em voz inativa.

Manter a vacinação infantil em dia é uma das principais formas de proteger crianças contra doenças que podem causar complicações, internações, sequelas e até mortes. Além da proteção individual, as vacinas ajudam a reduzir a circulação de vírus e bactérias e protegem quem ainda não pode receber determinados imunizantes.

Nos últimos anos, o Brasil voltou a avançar na cobertura vacinal. No entanto, milhares de crianças ainda não receberam doses importantes ou estão com o calendário incompleto. Ao mesmo tempo, doenças que as vacinas podem prevenir, como sarampo e coqueluche, continuam registrando casos no país.

Por isso, pais e responsáveis precisam acompanhar a caderneta de vacinação e verificar se há doses ou reforços pendentes. Mesmo quando existe atraso, porém, na maioria das situações a criança não precisa começar todo o esquema novamente.

A seguir, entenda por que a vacinação infantil precisa permanecer em dia, o que o atraso pode representar e como atualizar as doses.

Por que é importante manter a vacinação infantil em dia?

As vacinas preparam o organismo para responder a determinadas doenças e reduzem o risco de formas graves e complicações. Algumas precisam de mais de uma dose para alcançar a proteção esperada. Outras, por sua vez, exigem reforços ao longo do tempo para manter a resposta do organismo.

Por isso, não basta apenas iniciar o esquema vacinal. Quando a criança deixa de receber uma dose ou um reforço previsto para sua idade, ela pode continuar vulnerável, mesmo que já tenha tomado parte das vacinas.

Além disso, a vacinação produz um efeito coletivo. Quanto maior o número de pessoas suscetíveis, maior a possibilidade de circulação de determinadas doenças. Nesse cenário, bebês ainda muito pequenos para algumas vacinas, pessoas que não podem receber certos imunizantes por razões médicas e pacientes com resposta imunológica reduzida também se beneficiam de altas coberturas vacinais.

Os dados recentes ajudam a mostrar a dimensão desse desafio.

Cobertura avança, mas crianças ainda estão sem proteção completa

O número de crianças classificadas como “zero-dose” no Brasil caiu de 360 mil, em 2023, para 255 mil, em 2024, e chegou a 50 mil em 2025, segundo estimativas do UNICEF e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O indicador considera crianças que não receberam a primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche, chamada de DTP1. No calendário brasileiro, a vacina pentavalente oferece essa proteção e também protege contra hepatite B e infecções causadas pela bactéria Haemophilus influenzae tipo B.

A redução é importante, mas exige uma leitura cuidadosa. Isso porque dois fatores contribuíram para a melhora entre 2024 e 2025: o aumento da cobertura vacinal e os avanços nos sistemas brasileiros de registro e divulgação dos dados. Portanto, a queda não decorre exclusivamente da aplicação de novas doses.

Além disso, “zero-dose” não significa necessariamente que a criança nunca recebeu nenhuma vacina.

O calendário apresenta as principais vacinas indicadas para crianças de 0 a 9 anos. Algumas doses têm recomendações específicas conforme idade, histórico vacinal ou situação de saúde. Em caso de dúvida ou atraso, consulte uma unidade de saúde. Fonte: Ministério da Saúde – Calendário Nacional de Vacinação 2026.

O que significa uma criança “zero-dose”?

O termo pode causar confusão. Para esse indicador internacional, uma criança pode ter recebido, por exemplo, BCG ou a vacina contra hepatite B e ainda assim entrar na classificação zero-dose caso não tenha tomado a primeira dose da DTP.

Por outro lado, uma criança que recebeu essa primeira dose deixa de fazer parte do indicador, mesmo que não tenha retornado para completar o esquema ou esteja com outras vacinas atrasadas.

Portanto, as 50 mil crianças classificadas como zero-dose não representam todas as crianças brasileiras com vacinação incompleta.

Para saber se a vacinação infantil está em dia, é necessário conferir todas as doses indicadas para cada idade. A caderneta de vacinação funciona como a principal referência para essa avaliação. Além disso, a equipe da unidade de saúde pode conferir o histórico e orientar pais e responsáveis.

O que acontece quando a vacinação infantil está atrasada?

Uma dose atrasada pode deixar a criança sem a proteção esperada contra determinada doença. O impacto depende da vacina, da quantidade de doses que a criança já recebeu, da idade e do intervalo previsto entre as aplicações.

Além do risco individual, o aumento do número de pessoas suscetíveis favorece a transmissão de doenças na comunidade. Por isso, manter o calendário em dia também ajuda a proteger outras pessoas.

Esse cuidado se torna ainda mais importante porque doenças que a vacinação pode prevenir continuam circulando.

Em 2026, por exemplo, o Ministério da Saúde confirmou casos de sarampo em municípios de São Paulo. Entre junho e julho, o estado registrou 14 casos. Embora o Brasil tenha recuperado, em novembro de 2024, a certificação de eliminação da doença, ainda podem ocorrer surtos quando casos importados encontram grupos de pessoas sem proteção adequada.

A coqueluche também voltou a crescer. Em 2024, o Brasil registrou 7.440 casos confirmados, o maior número em uma década. Já em 2023, o país havia contabilizado 216 casos.

Embora possa atingir qualquer idade, a doença representa risco maior para bebês, principalmente aqueles com menos de seis meses.

Assim, esses episódios reforçam a importância de manter altas coberturas vacinais, inclusive quando determinada doença se torna pouco frequente.

Vacina atrasada precisa começar tudo de novo?

Na maioria das situações, não.

Quando existem doses atrasadas, a equipe de saúde verifica o histórico da criança e orienta a continuidade da vacinação. Em seguida, aplica as doses que faltam, sempre de acordo com a idade e os intervalos definidos para cada imunizante.

Algumas vacinas, porém, possuem limites de idade. Por isso, pais e responsáveis não devem esperar a próxima campanha de vacinação quando identificarem uma pendência.

O ideal é levar a caderneta a uma unidade de saúde assim que possível. Dessa forma, a equipe poderá verificar quais doses a criança já tomou, quais estão atrasadas e como completar o esquema.

Como saber quais vacinas a criança precisa tomar?

O Calendário Nacional de Vacinação informa os imunizantes e as doses recomendadas para cada faixa etária. Por isso, ele serve como referência para pais e responsáveis acompanharem a vacinação infantil.

A caderneta de vacinação, por sua vez, reúne o histórico da criança. Além dela, os registros do Meu SUS Digital podem ajudar na consulta das doses já aplicadas.

No entanto, doses antigas ou registros que os sistemas nacionais ainda não incorporaram podem não aparecer no aplicativo. Portanto, é importante preservar também os comprovantes físicos de vacinação.

Caso a família tenha perdido a caderneta, ainda assim deve procurar uma unidade de saúde. A equipe pode consultar os registros disponíveis e orientar sobre a reconstrução do histórico vacinal.

A vacinação infantil é segura?

Antes de uma vacina chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS), pesquisadores realizam estudos para avaliar sua qualidade, sua capacidade de produzir resposta imunológica, sua eficácia e possíveis reações. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa os dados e precisa registrar o imunizante antes de seu uso no Brasil.

O acompanhamento da segurança também continua depois que a população começa a receber a vacina. Dessa forma, as autoridades de saúde conseguem identificar, inclusive, eventos muito raros que podem não ter aparecido nos estudos anteriores.

O Ministério da Saúde também monitora os chamados Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (ESAVI).

No entanto, um problema de saúde ocorrido depois da aplicação não significa, necessariamente, que a vacina o provocou. Por isso, as equipes responsáveis investigam as notificações para avaliar se existe relação com o imunizante, se ocorreu algum erro durante a aplicação, se os acontecimentos apenas coincidiram no tempo ou se há outra causa.

Dependendo da vacina, podem ocorrer reações como dor e vermelhidão no local da aplicação e febre. Já as reações graves são raras. Caso ocorram, um serviço de saúde deve avaliar a situação.

Como colocar a vacinação infantil em dia?

Primeiro, confira a caderneta da criança. Caso encontre alguma dose ou reforço pendente — ou tenha dúvida sobre o registro —, leve o documento a uma unidade básica de saúde.

Além disso, informe à equipe sobre alergias, reações anteriores, doenças e tratamentos em andamento. Com essas informações, o profissional poderá identificar possíveis contraindicações e avaliar quais vacinas a criança pode receber naquele momento.

Pais e responsáveis também podem consultar o Calendário Nacional de Vacinação, o Meu SUS Digital e os canais oficiais do Ministério da Saúde e da Anvisa.

Por outro lado, informações recebidas por redes sociais ou aplicativos de mensagens exigem verificação antes de influenciarem qualquer decisão sobre a vacinação da criança.

Campanha de Multivacinação 2026: oportunidade para conferir a caderneta

Para quem precisa verificar a situação vacinal agora, a Campanha de Multivacinação 2026 segue até 1º de setembro e atende crianças e adolescentes menores de 15 anos. Além disso, o Ministério da Saúde programou o Dia D nacional para 22 de agosto.

Segundo o Ministério da Saúde, a campanha oferece 20 imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação. Eles protegem contra doenças como sarampo, poliomielite, coqueluche, meningites, pneumonias, hepatites e febre amarela.

A campanha adota a vacinação seletiva. Ou seja, a equipe confere o histórico e aplica apenas as doses pendentes. Portanto, quem está com o calendário completo não precisa reiniciar esquemas nem receber doses sem indicação.

Como cada município define os horários e locais de atendimento, consulte a programação da secretaria municipal de Saúde antes de procurar o serviço.

O que levar ao posto de vacinação?

Leve a caderneta de vacinação e um documento de identificação da criança ou do adolescente. Além disso, outros comprovantes de vacinação podem ajudar a equipe a conferir o histórico.

Se a família perdeu a caderneta, isso não impede o atendimento. Nesse caso, procure o posto para verificar os registros existentes e receber orientação.

Também é possível consultar a Carteira de Vacinação Digital pelo Meu SUS Digital. No entanto, alguns registros antigos podem não aparecer no sistema. Por isso, vale guardar os comprovantes físicos.

Onde encontrar informações confiáveis sobre vacinação infantil?

Em caso de dúvida sobre doses, intervalos, contraindicações ou possíveis reações, procure uma unidade de saúde ou converse com a equipe responsável pela vacinação.

Além disso, pais e responsáveis podem consultar o Calendário Nacional de Vacinação, o Meu SUS Digital e os canais oficiais do Ministério da Saúde e da Anvisa.

A PROTESTE também reúne conteúdos para ajudar as famílias a entender as orientações sobre vacinação. No Minha Saúde, você pode consultar todas as vacinas disponíveis no SUS e entender como os especialistas avaliam a segurança dos imunizantes.

Por fim, para saber exatamente quais vacinas uma criança precisa receber, leve a caderneta e os demais registros disponíveis a uma unidade de saúde.

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