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Amamentação: guia sobre direitos e como superar dificuldades

Tem dúvidas sobre amamentação? Veja recomendações de especialistas, direitos da mãe trabalhadora e como acionar o apoio do SUS.

Saúde Publicado em 30/Jul/2026 6 min de leitura Atualizado há 55 dias
Mulher sentada no sofá de uma sala observa carinhosamente um bebe que dorme em seu colo.

Leitura em voz inativa.

Amamentar depende de muito mais do que a vontade da mãe. Afinal, exige informação, apoio e direitos garantidos. É exatamente essa a reflexão do Agosto Dourado 2026, mês dedicado ao incentivo ao aleitamento materno no Brasil por lei federal. Entenda a importância da amamentação para a mãe e o bebê.

O tema da campanha deste ano, definido pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento (WABA), é: “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona.”

Portanto, o chamado é para que governos, profissionais de saúde, empresas e famílias ampliem o apoio a quem amamenta.

O que é o Agosto Dourado e qual o seu significado?

O Agosto Dourado foi instituído no Brasil por lei federal como o mês oficial de incentivo ao aleitamento materno. A cor dourada representa o padrão-ouro de qualidade do leite materno.

Além disso, a Semana Mundial da Amamentação vai de 1 a 7 de agosto e é reconhecida em mais de 170 países pela OMS e pelo UNICEF.

Por que a amamentação importa? Benefícios para o bebê e para a mãe

A amamentação não é apenas uma escolha nutricional; é uma intervenção de saúde pública comprovada pela ciência. Por isso, quando analisamos os números, fica claro por que a proteção ao aleitamento é tão urgente:

Benefícios para o bebê:

  • Redução da mortalidade: O aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida reduz em até 13% a mortalidade infantil por causas evitáveis (dados da OMS/Lancet).
  • Proteção contra infecções: Em primeiro lugar, bebês amamentados apresentam 72% menos risco de hospitalização por infecções respiratórias graves (como pneumonia e bronquiolite) e 64% menos risco de diarreias e infecções gastrointestinais.
  • Saúde a longo prazo: Como resultado, a amamentação reduz em 13% a probabilidade de obesidade na infância e na vida adulta, além de diminuir em 35% a incidência de diabetes tipo 2.

Benefícios para a mãe:

  • Recuperação no pós-parto: A sucção do bebê estimula a liberação de ocitocina. Consequentemente, esse hormônio acelera a regressão do útero ao tamanho normal e reduz o risco de hemorragia pós-parto.
  • Prevenção de câncer: Adicionalmente, a amamentação reduz em 4,3% o risco de câncer de mama para cada 12 meses acumulados de amamentação ao longo da vida, além de diminuir em até 30% o risco de câncer de ovário.
  • Proteção metabólica: Do mesmo modo, mulheres que amamentam têm até 12% menos risco de desenvolver diabetes tipo 2 e menor incidência de hipertensão após a menopausa.

Além do impacto direto na saúde física de ambos, a amamentação constrói um vínculo afeto-emocional profundo entre mãe e filho. Nesse sentido, o contato pele a pele contínuo, a troca de olhares e a liberação de hormônios do bem-estar durante a mamada promovem o apego seguro. Como consequência, acalmam o bebê, reduzem o estresse materno e fortalecem o desenvolvimento emocional da criança para a vida toda.

O que os dados mostram: o Brasil avançou, mas a meta ainda não foi atingida

Em 1986, mães brasileiras amamentavam exclusivamente apenas 3% das crianças menores de seis meses. Hoje esse índice chega a 45,8%, segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI 2021), da UFRJ, com apoio do Ministério da Saúde.

Trata-se de um avanço real. No entanto, o país não atingiu a meta de 50% estabelecida pela OMS para 2025.

Atualmente, a meta para 2030 é de 70%. Por isso, o tema da campanha de 2026 aponta o caminho: identificar o que já funciona em políticas públicas e redes de apoio para fortalecer essas iniciativas.

Em 2023, o SUS atendeu mais de 1,6 milhão de mulheres com dificuldades de amamentação, segundo o Ministério da Saúde. Portanto, ter dificuldade é comum. Assim, buscar ajuda é o caminho certo.

dados: ENANI-2019/2021 do Ministério da Saúde/UFRJ

Até quando amamentar: o que recomenda o Ministério da Saúde

A orientação oficial é o leite materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida. Afinal, exclusivo significa cortar:

  • água;
  • chá;
  • suco;
  • fórmula.

Por essa razão, qualquer complemento, mesmo água, já muda essa categoria.

Depois dos 6 meses, a amamentação pode continuar junto com outros alimentos. Dessa forma, a recomendação é mantê-la até os 2 anos ou mais, pelo tempo que mãe e bebê quiserem.

Vale ressaltar que o leite materno não perde valor com o tempo. Ou seja, o bebê deve mamar sempre que quiser, sem horários rígidos. Isso se chama livre demanda e estimula a produção de leite de forma natural.

O que fazer se estiver com dificuldade para amamentar

Dor, fissuras e a sensação de que o leite é pouco são as razões mais comuns para o desmame precoce. Contudo, a maioria tem solução quando identificada cedo.

“É normal sentir um desconforto inicialmente, afinal, o bebê nunca sugou tanto o bico do seio assim. Dor não é normal”, explica Karla Fuentes, especialista em amamentação, doula e terapeuta.

Nesse sentido, ela aponta a pega incorreta como a causa mais frequente de fissura: “Doeu? Tira e recomeça. Uma mamada com a pega errada pode causar fissuras enormes.”

Sobre o medo de ter leite insuficiente, ela é direta:  “A melhor prevenção é a informação.”

Afinal, a própria demanda do bebê produz o leite. Ou seja: quanto mais o bebê mama, mais leite o corpo produz.

A PROTESTE conversou com Karla sobre as principais dúvidas de mães de primeira viagem. Leia a entrevista completa.

Entretanto, se a dificuldade persistir, os caminhos disponíveis são:

  • O posto de saúde ou a maternidade de referência, onde o SUS oferece suporte gratuito;
  • O banco de leite humano, que orienta sobre pega, posição e manejo.

Seus direitos como mãe que amamenta no trabalho

Voltar ao trabalho e continuar amamentando é possível. Por exemplo, a CLT garante duas pausas de 30 minutos por dia para amamentação até o bebê completar 6 meses.

Esse tempo pode ser usado para amamentar ou para ordenhar leite. Além disso, empresas com 30 ou mais mulheres são obrigadas a ter um espaço adequado, com higiene e privacidade.

Portanto, se a empresa não cumprir, é possível reclamar. Da mesma forma, se o plano de saúde negar coberturas do pós-parto, a ANS é o canal oficial. A PROTESTE pode ajudar a organizar a reclamação e acompanhar a resposta.

A PROTESTE

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